segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Política

Do levantamento de dados à agenda estadual: o trabalho de Durango Duarte no plano do Amazonas

O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas foi elaborado por equipes multidisciplinares coordenadas por Durango Duarte e apresentado por Omar Aziz como referência para a próxima gestão estadual. O trabalho reúne diagnósticos, indicadores, metas e propostas distribuídos em três volumes.
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O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, apresentado pelo governador eleito Omar Aziz (PSD), foi construído a partir do trabalho de equipes multidisciplinares coordenadas pelo empresário, publicitário e pesquisador Durango Duarte. O documento reúne aproximadamente 1.742 páginas de diagnósticos, indicadores, metas e propostas para diferentes áreas da administração estadual.

Organizado em três volumes, o planejamento aborda economia, saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, assistência social, habitação, meio ambiente, tecnologia, inovação e desenvolvimento regional. A proposta é oferecer uma agenda que ultrapasse o período de um mandato e sirva de referência para a formulação e a execução de políticas públicas.

Omar Aziz foi eleito governador do Amazonas no domingo, 25 de outubro de 2026, ao lado da vice-governadora eleita Alessandra Campêlo. A nova administração deverá assumir em janeiro de 2027.

Um planejamento dividido em três volumes

O primeiro volume do plano concentra temas ligados à situação fiscal do estado, aos efeitos da Reforma Tributária, à infraestrutura, à logística e à diversificação da economia. O documento também apresenta diretrizes para o fortalecimento da Zona Franca de Manaus e para a ampliação das atividades produtivas nos municípios do interior.

Bioeconomia, turismo, piscicultura, fruticultura, ciência e tecnologia também aparecem entre os assuntos tratados. O planejamento relaciona essas áreas à necessidade de ampliar a capacidade de investimento do Amazonas e reduzir as desigualdades econômicas entre Manaus e as demais cidades do estado.

O segundo volume é dedicado à saúde, à segurança pública e à assistência social. Na área da saúde, as propostas incluem a regionalização do atendimento, a ampliação da telessaúde nos 62 municípios, o fortalecimento dos polos regionais e o uso de barcos-hospitais e equipes itinerantes.

Para a segurança pública, o plano prevê a modernização do Ronda no Bairro e a expansão da iniciativa por meio do Ronda nos Municípios, Ronda nos Rios, Ronda Social e Ronda Digital. Já na assistência social, o programa Amazonas Forte Social é apresentado como uma proposta de fortalecimento da rede de proteção às famílias vulneráveis e de ampliação das oportunidades de autonomia econômica.

O terceiro volume reúne educação, cultura, habitação, meio ambiente, políticas indigenistas, ciência, tecnologia e inovação. Entre as medidas listadas estão o Pacto Estadual de Alfabetização, o fortalecimento do ensino médio e a expansão da educação profissional e tecnológica.

O texto também propõe a modernização dos serviços públicos por meio do Amazonas Digital e Inovador, além do fortalecimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam). A valorização cultural e a proteção dos povos indígenas integram o mesmo conjunto de diretrizes.

Construção com especialistas e representantes de setores

A elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento envolveu pesquisadores, professores, economistas, especialistas em políticas públicas, profissionais da administração e representantes de diferentes segmentos da sociedade. Também participaram entidades de classe, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e representantes do setor produtivo.

O segundo volume registra a participação direta de mais de 200 colaboradores. O terceiro menciona mais de uma centena de participantes. Os documentos foram estruturados para relacionar os problemas identificados aos caminhos de solução e aos mecanismos necessários para a execução das medidas.

O planejamento também incorpora temas como inteligência artificial, transformação digital, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e modernização da administração pública. A proposta é que as ações sejam acompanhadas por indicadores, metas e instrumentos de avaliação.

Outra diretriz apresentada é a continuidade das políticas públicas, com iniciativas que possam permanecer em funcionamento mesmo diante de mudanças de governo. A execução, no entanto, dependerá da definição de prioridades, da disponibilidade orçamentária, da capacidade dos órgãos estaduais e da articulação com municípios, União e setor produtivo.

Experiência de Durango Duarte combina pesquisa e gestão

A coordenação do plano está relacionada à trajetória profissional de Durango Duarte, construída em áreas como comunicação, pesquisas eleitorais, consultoria, gestão de projetos e empreendedorismo. Nascido em 11 de novembro de 1963, em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, ele chegou a Manaus em 1975, ainda adolescente, e desenvolveu na capital amazonense a maior parte de sua carreira.

Durango estudou Engenharia, Matemática e Jornalismo na antiga Universidade do Amazonas, atual Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Também cursou Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, no Centro Universitário do Norte (Uninorte). Sua formação inclui especializações em marketing, políticas públicas, governo, inovação e transformação digital.

A aproximação com a política começou no movimento estudantil, durante a década de 1980, em atividades ligadas à redemocratização do país e à representação universitária. Nesse período, estabeleceu relações que continuariam presentes em sua trajetória profissional.

Em 1988, foi convidado por Omar Aziz para assumir a direção executiva da Fundação de Apoio e Desenvolvimento Comunitário (Fundac). No mesmo ano, participou da primeira campanha eleitoral de Omar para a Câmara Municipal de Manaus.

Entre 1989 e 1990, atuou como consultor do então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. Mais tarde, desenvolveu trabalhos de consultoria associados a administrações estaduais de Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Omar Aziz e Wilson Lima, além de gestões municipais.

Ao longo desse percurso, participou de estudos, estratégias e projetos relacionados à comunicação institucional, ao planejamento governamental e às políticas públicas. Sua trajetória profissional também é associada a iniciativas como Ronda no Bairro, Amazonas Digital, Viver Melhor, Cidade Universitária e Bolsa Universidade.

Perspectiva ampliou atuação no mercado de pesquisas

A experiência de Durango com pesquisas começou em 1990, em trabalhos desenvolvidos com professores do Departamento de Estatística da Universidade do Amazonas. Naquele período, participou de iniciativas de acompanhamento e apuração eleitoral paralela, em um contexto no qual os recursos tecnológicos eram mais limitados e a totalização oficial dos resultados podia levar vários dias.

Em 13 de julho de 1993, fundou a Perspectiva Tecnologia da Informação, empresa que posteriormente passou a atuar sob a marca Perspectiva Mercado e Opinião. A companhia realizou pesquisas eleitorais, estudos de mercado, levantamentos de opinião pública e análises sobre o comportamento dos consumidores.

Segundo informações de sua trajetória profissional, a empresa desenvolveu mais de mil projetos de pesquisa. Durango também acumulou experiência no acompanhamento de 22 eleições desde 1982 e criou o Top of Mind, levantamento voltado à identificação das marcas e dos produtos mais lembrados pelos consumidores de Manaus.

Esse trabalho consolidou sua atuação na interpretação de indicadores, na identificação de tendências e no uso de informações para orientar decisões estratégicas. Esses elementos foram incorporados à coordenação de equipes e estudos que deram origem ao plano estadual.

Empresas ampliaram experiência em comunicação e tecnologia

Além da Perspectiva, Durango Duarte criou empresas em diferentes segmentos. Em 2009, fundou a The Voice, voltada à publicidade em painéis eletrônicos de LED. Em 2019, criou a iMarketing, com serviços de comunicação digital, marketing, pesquisas e monitoramento de informações.

Em 2021, fundou a Red Agency, direcionada ao setor publicitário, e estruturou a DMD Holding para organizar suas atividades e participações empresariais. A diversificação reuniu experiências em gestão de equipes, desenvolvimento de projetos, inovação tecnológica e planejamento empresarial.

Essa atuação empresarial se somou à experiência acumulada em pesquisas e consultorias para a coordenação de profissionais de diferentes especialidades na elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas.

Instituto preserva documentos e memória regional

A produção de conhecimento também está presente na trajetória de Durango Duarte por meio do Instituto Durango Duarte (IDD), fundado em 2015. A organização sem fins lucrativos é dedicada à pesquisa, à documentação e à preservação de registros históricos.

Inaugurado oficialmente em abril de 2016, o instituto reúne jornais, fotografias, documentos e outras fontes relacionadas à história de Manaus, do Amazonas e do Brasil. Durango também participou da publicação de obras sobre política, cultura, comunicação e história regional.

Entre os trabalhos estão Informação é Tudo, de 2005; Manaus, entre o Passado e o Presente, de 2009; Imprensa Amazonense, de 2015; e Manaus 350 Anos, publicado em 2020. Ele também participou de publicações sobre a história da Zona Franca de Manaus, o ciclo da borracha e a preservação do patrimônio histórico da capital.

Plano passa a integrar referências para a próxima gestão

Com a eleição de Omar Aziz, o trabalho coordenado por Durango Duarte passa a integrar o conjunto de referências técnicas que poderão orientar a próxima administração estadual. O governador eleito retorna ao Executivo do Amazonas depois de ter administrado o estado entre 2010 e 2014.

Alessandra Campêlo será a vice-governadora. Ela é a primeira mulher eleita para o cargo no Amazonas. A nova gestão terá entre os desafios a reorganização administrativa, a ampliação dos investimentos, a melhoria dos serviços públicos e o desenvolvimento dos municípios do interior.

O plano reúne propostas para essas áreas e procura estabelecer uma conexão entre diagnóstico, planejamento e execução. Sua implementação dependerá das decisões da próxima administração, dos recursos disponíveis e da articulação necessária para transformar as diretrizes em ações.

A participação de Durango Duarte no projeto representa mais uma etapa de uma trajetória que reúne movimento estudantil, consultoria governamental, pesquisas de opinião pública, empreendedorismo, comunicação, tecnologia e preservação histórica. O documento coordenado por ele organiza essa experiência em uma agenda de desenvolvimento elaborada por especialistas e colaboradores de diferentes áreas.