Quem vive ou circula por Maués precisa redobrar os cuidados em períodos de calor intenso. A combinação de temperaturas elevadas, exposição ao sol, esforço físico e hidratação insuficiente pode provocar mal-estar, tontura, fraqueza, dor de cabeça, náusea, cãibras e desidratação. Em situações mais graves, o quadro pode evoluir para insolação, uma emergência médica.
Para reduzir os riscos, a principal recomendação é evitar a exposição prolongada ao calor, beber líquidos ao longo do dia e observar com atenção os sinais apresentados pelo corpo. Crianças, pessoas idosas, gestantes e indivíduos com doenças crônicas precisam de cuidados adicionais.
Por que o calor pode causar mal-estar
O organismo elimina parte do excesso de calor por meio da transpiração. Quando a pessoa sua muito e não repõe adequadamente os líquidos perdidos, pode ocorrer desidratação. A perda de água e sais minerais afeta a circulação e o funcionamento de diferentes órgãos, provocando sintomas que variam de leves a graves.
O risco aumenta quando o calor é acompanhado de esforço físico, permanência sob o sol, uso de roupas pesadas, consumo de bebidas alcoólicas ou baixa ingestão de água. Ambientes quentes e pouco ventilados também dificultam a regulação da temperatura corporal.
Segundo o Ministério da Saúde, entre os sinais relacionados ao calor estão transpiração excessiva, fraqueza, tontura, náusea, dor de cabeça, cãibras musculares e diarreia. A presença desses sintomas deve ser acompanhada com atenção, especialmente quando não há melhora após a ida para um local fresco e a reposição de líquidos.
Como evitar mal-estar causado pelo calor
1. Beba água com frequência
Não espere sentir sede para beber água. A sede pode aparecer quando o organismo já começou a perder líquidos. O ideal é manter uma garrafa por perto e fazer pequenas ingestões ao longo do dia, principalmente antes, durante e depois de atividades ao ar livre.
O guia do Ministério da Saúde para profissionais recomenda a ingestão de líquidos mesmo sem sede e menciona a referência mínima de 2 litros por dia para adultos, mas a necessidade pode variar conforme idade, peso, atividade física, alimentação, temperatura e condições de saúde. Pessoas com problemas renais, cardíacos ou outras restrições de líquidos devem seguir a orientação do profissional que acompanha o tratamento.
Água é a principal opção. Sucos naturais e água de coco podem fazer parte da hidratação, mas não substituem necessariamente a água em todas as situações. Bebidas alcoólicas devem ser evitadas, pois favorecem a desidratação. Também é importante moderar bebidas com excesso de açúcar e cafeína.
2. Reduza a exposição ao sol
Evite permanecer sob o sol forte por períodos prolongados. Sempre que possível, organize caminhadas, trabalhos e exercícios para os horários mais frescos do dia. Durante a exposição, procure áreas com sombra, use chapéu ou boné e prefira roupas leves, largas e de cores claras.
O protetor solar ajuda a proteger a pele contra a radiação ultravioleta, mas não impede o aumento da temperatura corporal. Por isso, mesmo usando filtro solar, é necessário buscar sombra, fazer pausas e manter a hidratação.
Também não se deve deixar crianças, idosos, animais ou pessoas desacompanhadas dentro de veículos estacionados. O interior do carro pode aquecer rapidamente, mesmo quando as janelas estão parcialmente abertas.
3. Mantenha os ambientes mais frescos
Em casa, abra janelas no início da manhã e à noite, quando o ar tende a estar mais fresco. Durante os períodos de maior calor, mantenha cortinas ou persianas fechadas para reduzir a entrada direta de sol. Se o ambiente externo estiver mais quente do que o interno, deixar as janelas abertas pode aumentar a temperatura dentro da residência.
Ventiladores podem ajudar na circulação do ar, mas não devem ser usados como substitutos da hidratação ou da busca por um local mais fresco quando a temperatura estiver muito elevada. Banhos em temperatura confortável e roupas leves também podem ajudar a aliviar o desconforto.
Em casas com pessoas idosas, crianças ou indivíduos dependentes de cuidados, é importante verificar regularmente se o ambiente está ventilado e se essas pessoas estão bebendo líquidos.
4. Prefira alimentação leve
Em dias quentes, dê preferência a frutas, verduras, legumes, saladas e preparações leves. Alimentos com alto teor de água podem contribuir para a ingestão de líquidos, embora não substituam o consumo de água.
Refeições muito volumosas, gordurosas ou difíceis de digerir podem aumentar a sensação de indisposição. O cuidado deve ser maior antes de atividades físicas ou deslocamentos sob o sol.
Também é necessário manter os alimentos refrigerados e observar as condições de armazenamento. O calor favorece a deterioração de produtos e pode aumentar o risco de doenças gastrointestinais, que também provocam perda de líquidos.
Quem precisa de atenção redobrada
O calor pode afetar qualquer pessoa, mas alguns grupos apresentam maior risco de desidratação e complicações. Entre eles estão crianças pequenas, pessoas idosas, gestantes, pessoas com doenças cardíacas, renais, respiratórias ou circulatórias, diabéticos e indivíduos que usam determinados medicamentos.
O risco também pode ser maior para quem trabalha ao ar livre, pratica exercícios intensos, está com diarreia ou vômitos, consome álcool em excesso ou permanece em ambientes quentes por muitas horas.
Em pessoas idosas, a sensação de sede pode ser reduzida. Por isso, familiares e cuidadores não devem esperar que a pessoa peça água. É recomendável oferecer líquidos regularmente e observar alterações como sonolência, fraqueza, confusão, tontura ou redução da urina.
Medicamentos não devem ser suspensos ou alterados por conta própria durante períodos de calor. Pessoas que usam diuréticos, remédios para pressão, antidepressivos ou outros medicamentos devem conversar com um profissional de saúde caso percebam sintomas ou tenham dúvidas sobre os cuidados necessários.
Como reconhecer os primeiros sinais
O mal-estar provocado pelo calor pode começar com sinais aparentemente simples, como cansaço, sede intensa, suor excessivo, dor de cabeça, tontura, náusea e cãibras. A pele pode ficar pálida, fria ou pegajosa, e o pulso pode acelerar.
Nessa situação, a pessoa deve interromper a atividade, ir para um lugar fresco e ventilado, afrouxar as roupas e iniciar a reposição de líquidos se estiver consciente e conseguindo engolir. Não é recomendado continuar caminhando, trabalhando ou praticando exercício para “ver se passa”.
Se os sintomas forem intensos, persistentes ou acompanhados de vômitos, desmaio, confusão mental, dificuldade para respirar ou piora rápida, é necessário procurar atendimento de saúde.
Insolação é uma emergência
A insolação ocorre quando o corpo não consegue controlar adequadamente a própria temperatura. De acordo com o Ministério da Saúde, o quadro pode estar associado a temperatura corporal muito elevada, pele quente e seca, pulso acelerado, alterações visuais, confusão mental, convulsões, desmaio e coma.
Nem sempre a pessoa com um quadro grave continuará suando. A ausência de suor, especialmente quando há pele quente, alteração de consciência e temperatura elevada, é um sinal de alerta. A insolação pode causar danos ao cérebro, coração, rins e músculos e pode ser fatal sem atendimento rápido.
O que fazer diante de uma suspeita de insolação
Ao perceber sinais de gravidade, leve a pessoa para um local fresco, com sombra e ventilação. Retire o excesso de roupas e ajude-a a permanecer em repouso. Compressas frias podem ser colocadas na testa, no pescoço, nas axilas e na virilha. Também é possível borrifar água fria no corpo para ajudar no resfriamento.
Somente ofereça água ou outro líquido se a pessoa estiver consciente, orientada e conseguir engolir. Não dê bebidas alcoólicas e não force a ingestão de líquidos em alguém confuso, desmaiado ou com dificuldade para engolir, porque existe risco de engasgo.
Em casos graves, acione o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo número 192 ou leve a pessoa imediatamente a um serviço de emergência, sem atrasar a busca por atendimento.
Cuidados durante trabalho e exercício
Quem trabalha sob o sol deve fazer pausas regulares em locais cobertos ou ventilados, usar roupas adequadas e manter água disponível. Sempre que possível, tarefas mais pesadas devem ser organizadas para os horários menos quentes.
Durante exercícios, a intensidade deve ser reduzida quando o calor estiver excessivo. A hidratação deve ocorrer antes, durante e depois da atividade. Tontura, fraqueza, náusea, dor de cabeça, cãibras ou sensação de desmaio são sinais para interromper imediatamente o esforço.
Não é seguro tentar compensar o calor com bebidas alcoólicas ou energéticas. Pessoas com doenças crônicas ou que usam medicamentos regularmente devem buscar orientação profissional antes de mudar a rotina de exercícios.
Checklist para os dias quentes em Maués
- Leve água ao sair de casa e beba em pequenas quantidades ao longo do dia.
- Use roupas leves, largas e de cores claras.
- Proteja a cabeça e procure permanecer na sombra.
- Evite esforço físico nos horários mais quentes.
- Faça refeições leves e mantenha os alimentos bem armazenados.
- Verifique se crianças, idosos e pessoas doentes estão hidratados.
- Não interrompa medicamentos sem orientação profissional.
- Procure atendimento diante de confusão mental, desmaio, convulsão, falta de ar ou piora dos sintomas.
O calor intenso exige atenção contínua, mas medidas simples reduzem o risco de mal-estar e de complicações. Hidratação regular, ambientes ventilados, proteção contra o sol e reconhecimento rápido dos sinais de gravidade são as principais formas de cuidar da saúde durante os dias mais quentes.







