Os cuidados com a água para consumo são importantes para proteger a saúde de toda a família, especialmente quando a água é retirada de poços, rios, igarapés, cacimbas, depósitos, sistemas alternativos ou chega à residência após interrupções e alterações no abastecimento. Em Maués, assim como em outras cidades, a água usada para beber, cozinhar, preparar alimentos e escovar os dentes deve ser tratada e armazenada de forma adequada sempre que não houver garantia de potabilidade.
Mesmo quando apresenta aparência limpa, a água pode conter microrganismos invisíveis capazes de provocar diarreia, vômitos, dor abdominal e outros problemas de saúde. Por isso, observar apenas a cor, o cheiro ou o sabor não é suficiente para confirmar que ela está própria para o consumo.
Por que é importante cuidar da água para beber?
A água para consumo humano precisa atender a padrões de qualidade e não oferecer riscos à saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, ela inclui a água destinada à ingestão, à preparação de alimentos e à higiene pessoal.
A contaminação pode ocorrer em diferentes etapas: na origem, durante a coleta, no transporte, dentro de caixas-d’água, em recipientes abertos ou no contato com mãos, utensílios, insetos e animais. Também pode acontecer quando a água tratada é retirada várias vezes do mesmo recipiente com copos, canecas ou outros objetos sujos.
O tratamento doméstico não substitui o abastecimento regular e o controle de qualidade realizado pelos responsáveis pelo sistema de água. Entretanto, é uma medida importante quando a família não tem segurança sobre a origem da água ou diante de situações emergenciais.
Quais águas precisam de atenção?
Água de torneira, poço, chuva, rio, lago, igarapé, cacimba ou carro-pipa não deve ser considerada automaticamente segura. A necessidade de tratamento depende da origem e das condições do abastecimento.
Se houver mudança repentina de cor, cheiro ou sabor, presença de barro, sedimentos, resíduos, animais mortos, óleo ou qualquer outro sinal de contaminação, a água não deve ser consumida antes de uma avaliação e do tratamento adequado. Em caso de suspeita de contaminação química, não se deve tentar resolver o problema apenas com fervura ou cloro, pois esses métodos não eliminam todos os produtos químicos.
Também é importante seguir comunicados das autoridades de saúde e do responsável pelo abastecimento. Quando houver orientação oficial para não consumir a água, a recomendação deve ser respeitada até que a segurança seja confirmada.
Como tratar a água em casa
O tratamento deve envolver, sempre que possível, duas etapas: a retirada de partículas e a desinfecção. A filtração ajuda a remover barro, areia e outros resíduos visíveis, mas não garante, sozinha, a eliminação de microrganismos.
Filtragem
Quando a água estiver turva ou com partículas, filtre antes de realizar a desinfecção. Pode ser utilizado filtro doméstico em boas condições de uso, coador de papel ou pano limpo, conforme orientação do Ministério da Saúde.
O filtro precisa ser higienizado e ter manutenção de acordo com as instruções do fabricante. Um filtro sujo ou vencido pode perder eficiência e contribuir para a contaminação da água.
Desinfecção com hipoclorito de sódio
Para água destinada ao consumo, pode ser utilizado hipoclorito de sódio a 2,5%, desde que o produto seja próprio para esse fim e esteja dentro do prazo de validade. A orientação do Ministério da Saúde é adicionar duas gotas para cada litro de água filtrada, misturar e aguardar 30 minutos antes de beber.
A dosagem não deve ser aumentada por conta própria. O produto também não deve ser substituído por água sanitária sem a verificação do rótulo, porque algumas formulações podem conter substâncias ou fragrâncias inadequadas para o consumo humano.
Depois do tratamento, a água deve ser guardada em recipiente limpo, fechado e exclusivo para esse uso. A recomendação é consumir a água tratada com hipoclorito em até 24 horas.
Fervura
Na ausência de hipoclorito de sódio a 2,5%, a água pode ser filtrada e fervida por cinco minutos. A contagem deve começar depois que a fervura se iniciar. Em seguida, é necessário deixar a água esfriar em recipiente protegido e fechado.
A fervura é uma alternativa para reduzir a presença de microrganismos, mas não remove sujeira, metais, combustíveis ou outras substâncias químicas. Por isso, a filtragem e a avaliação da origem da água continuam sendo importantes.
Como armazenar a água com segurança
O armazenamento inadequado pode contaminar uma água que já foi tratada. Para evitar esse problema, utilize recipientes limpos, com tampa e, de preferência, com abertura estreita. O recipiente deve ser destinado exclusivamente à água para beber e preparar alimentos.
- lave o recipiente antes de cada novo abastecimento;
- mantenha a tampa fechada;
- guarde a água em local protegido do sol, da poeira, de insetos e de animais;
- evite colocar as mãos, copos ou utensílios dentro do recipiente;
- use uma concha ou torneira limpa para retirar a água;
- não armazene água em embalagens que tenham sido usadas para produtos químicos;
- identifique o recipiente quando houver risco de confusão com água destinada à limpeza.
Garrafas, baldes e bombonas precisam estar em boas condições, sem rachaduras, odores persistentes ou resíduos. A embalagem reutilizada de produtos de limpeza, combustíveis, agrotóxicos ou outras substâncias químicas nunca deve ser usada para guardar água para consumo.
Cuidados com a caixa-d’água
A caixa-d’água deve permanecer tampada, em bom estado e protegida contra a entrada de insetos, animais, poeira e outros contaminantes. A limpeza é uma etapa importante para manter a qualidade da água dentro da residência.
Orientações da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde indicam que a caixa-d’água seja limpa a cada seis meses ou sempre que houver suspeita de contaminação, presença de sujeira ou necessidade de manutenção.
Durante a limpeza, não devem ser usados sabão, detergente ou escova de aço. O procedimento deve seguir as orientações sanitárias e, quando houver dificuldade, pode ser realizado por profissional habilitado. Depois do serviço, a caixa precisa ser fechada corretamente para evitar nova contaminação.
Também é importante verificar se há vazamentos, rachaduras, tampa quebrada ou instalação próxima a locais que possam favorecer a entrada de sujeira. A água da caixa não deve ser misturada com água de origem desconhecida sem tratamento.
Água usada para cozinhar e preparar alimentos
Os cuidados não devem se limitar ao copo. A água utilizada para lavar frutas, legumes e verduras, preparar sucos, fazer gelo, cozinhar arroz, feijão e outros alimentos também precisa ser segura.
Quando a qualidade da água for duvidosa, use água filtrada e desinfetada ou fervida para o preparo das refeições. O gelo feito com água não tratada também pode transmitir microrganismos, mesmo quando a bebida parece limpa.
Além disso, lave as mãos com água segura e sabão antes de preparar alimentos, depois de usar o banheiro, trocar fraldas, cuidar de animais ou manipular lixo. Bancadas, pratos, talheres e utensílios devem ser lavados e protegidos contra insetos e animais.
O que fazer em caso de diarreia ou vômitos?
Diarreia e vômitos podem causar desidratação, principalmente em crianças, idosos e pessoas com outras condições de saúde. Nesses casos, é importante oferecer líquidos seguros e observar sinais como boca seca, fraqueza intensa, tontura, pouca urina, sonolência ou piora do estado geral.
A solução de reidratação oral deve ser utilizada conforme as orientações dos serviços de saúde. Não é recomendado preparar misturas caseiras com quantidades aleatórias de sal e açúcar, pois uma concentração inadequada pode ser perigosa.
Procure atendimento em uma unidade de saúde se houver sangue nas fezes, febre alta, vômitos persistentes, sinais de desidratação, piora rápida, diarreia prolongada ou se a pessoa doente for uma criança pequena, idosa, gestante ou tiver alguma doença crônica.
Cuidados em períodos de chuva, interrupção ou alteração no abastecimento
Depois de chuvas intensas, alagamentos, rompimentos de tubulações ou interrupções no fornecimento, a água pode apresentar alteração temporária. Nessa situação, mantenha os recipientes fechados, evite consumir água com aspecto ou cheiro incomum e acompanhe os comunicados oficiais.
Se a água armazenada acabar e for necessário utilizar uma fonte alternativa, faça o tratamento doméstico indicado antes do consumo. A água usada para beber, cozinhar, fazer gelo e escovar os dentes deve receber o mesmo cuidado.
Em situações de emergência, não consuma água de rios, lagos, igarapés ou poços sem conhecer as condições da fonte e sem realizar o tratamento apropriado. Quando existir suspeita de contaminação por combustível, produtos químicos ou esgoto, a recomendação é buscar orientação da autoridade de saúde.
Checklist dos cuidados com a água para consumo
- confirme a origem da água;
- filtre quando houver partículas ou turbidez;
- desinfete com hipoclorito de sódio a 2,5% na dosagem correta ou ferva por cinco minutos;
- armazene em recipiente limpo, fechado e exclusivo;
- consuma a água tratada em até 24 horas quando essa for a orientação do método utilizado;
- mantenha a caixa-d’água tampada e limpa;
- não use embalagens de produtos químicos;
- proteja a água de mãos sujas, insetos, animais e utensílios contaminados;
- procure atendimento diante de sinais de desidratação ou agravamento dos sintomas.
Adotar esses cuidados reduz os riscos de contaminação e ajuda a prevenir doenças relacionadas à água. Em Maués, as famílias devem buscar informações junto aos canais oficiais de saúde e abastecimento sempre que houver dúvida sobre a qualidade da água ou mudança nas condições de fornecimento.







