sábado, 24 de outubro de 2026
SAÚDE

Cuidados com a pele durante o verão amazônico: como se proteger do sol, calor e umidade

O verão amazônico combina altas temperaturas, sol intenso, suor e umidade, condições que podem favorecer queimaduras solares, brotoejas, micoses e manchas. Saiba como proteger a pele no dia a dia e quando procurar atendimento de saúde.

Os cuidados com a pele no verão amazônico precisam ser reforçados por causa da combinação de calor, sol intenso, suor e umidade. Nesse período, é comum passar mais tempo ao ar livre, na água ou em atividades que aumentam a transpiração. Sem proteção adequada, a pele pode sofrer queimaduras, ressecamento, irritações, manchas, brotoejas e infecções por fungos.

A exposição excessiva à radiação ultravioleta também está relacionada ao envelhecimento precoce, a lesões nos olhos e ao câncer de pele. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) considera a exposição solar excessiva o principal fator de risco para esse tipo de tumor.

Para reduzir os riscos, não basta aplicar protetor solar uma vez ao dia. É necessário combinar filtro solar, roupas apropriadas, sombra, hidratação e atenção aos sinais que indicam irritação ou doença de pele.

Por que o verão amazônico exige mais atenção

O calor favorece a produção de suor e pode dificultar sua evaporação, especialmente em ambientes úmidos. Essa combinação pode provocar obstrução das glândulas sudoríparas e o aparecimento de pequenas bolhas ou pontos avermelhados, conhecidos como brotoejas.

A umidade também favorece a proliferação de fungos, aumentando a possibilidade de micoses em áreas de dobras, entre os dedos, na virilha e nos pés. Umidade prolongada, roupas apertadas e permanência com peças molhadas podem piorar o problema.

Em publicação sobre o verão amazônico, especialistas do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará alertaram que suor, calor e umidade também podem contribuir para a piora da acne, o reaparecimento do melasma e outras alterações dermatológicas. A recomendação inclui roupas leves, banhos sem fricção excessiva, uso regular de fotoprotetor e hidratação da pele. Confira as orientações divulgadas pelo CHU-UFPA.

Use protetor solar todos os dias

O protetor solar deve fazer parte da rotina mesmo quando o céu estiver nublado. A radiação ultravioleta pode atingir a pele em dias sem sol aparente, e a exposição é cumulativa ao longo da vida.

Na hora de escolher o produto, prefira um filtro de amplo espectro, com proteção contra raios UVA e UVB, e fator de proteção solar, o FPS, de 30 ou mais. Pessoas com pele sensível, histórico de manchas, doenças dermatológicas ou orientação médica específica podem precisar de produtos diferentes.

Aplique o protetor antes de sair de casa, seguindo as instruções do rótulo. A quantidade insuficiente reduz a proteção indicada na embalagem. Também é importante cobrir regiões frequentemente esquecidas, como orelhas, nuca, pescoço, dorso das mãos, braços, peito dos pés e parte do couro cabeludo quando estiver exposta.

A reaplicação deve ocorrer conforme as orientações do fabricante e sempre depois de nadar, mergulhar, secar-se com toalha, praticar atividade física ou suar excessivamente. O Ministério da Saúde informa que a água e a transpiração podem reduzir a eficácia do produto, mesmo quando o rótulo indica resistência à água. Veja as recomendações do Ministério da Saúde sobre prevenção.

Evite o sol mais intenso

O ideal é reduzir a exposição direta ao sol entre 10h e 16h, período em que a radiação ultravioleta pode ser mais intensa. Sempre que possível, escolha locais com sombra, como áreas cobertas, marquises, toldos ou espaços protegidos por árvores.

Quando a exposição for necessária, use chapéu ou boné, preferencialmente com cobertura que proteja o rosto, as orelhas e a nuca. Óculos escuros com proteção contra raios ultravioleta ajudam a proteger os olhos, mas devem ser adquiridos de fornecedores confiáveis.

Roupas de tecido leve, de preferência que permitam ventilação, também funcionam como barreira física. Para quem trabalha ou permanece muitas horas ao ar livre, camisas de manga longa, calças e chapéus de abas largas podem reduzir a área de pele exposta.

O Ministério da Saúde recomenda o uso de roupas apropriadas, chapéu ou boné, óculos escuros e a redução da exposição direta entre 10h e 16h.

Como prevenir brotoejas e irritações

Brotoejas costumam aparecer em regiões abafadas, como pescoço, costas, peito, axilas e dobras. Podem provocar coceira, ardência e pequenas lesões avermelhadas.

Alguns cuidados ajudam a reduzir o risco:

  • Use roupas leves, folgadas e que facilitem a ventilação da pele;
  • Evite tecidos que retêm muito calor e suor;
  • Troque roupas molhadas ou muito suadas assim que possível;
  • Mantenha as dobras do corpo limpas e bem secas;
  • Prefira banhos mornos ou frescos, sem água muito quente;
  • Não use buchas ou esponjas para esfregar a pele;
  • Evite aplicar cremes muito oleosos sem orientação profissional em áreas já abafadas.

O excesso de sabonete e a fricção podem retirar a proteção natural da pele e aumentar o ressecamento e a coceira. Por isso, a limpeza deve ser suave, sem esfregar repetidamente as regiões irritadas.

Redobre o cuidado com os pés e as áreas de dobra

O uso prolongado de calçados fechados, a transpiração e a umidade podem facilitar micoses nos pés. Para prevenção, seque cuidadosamente entre os dedos após o banho, alterne os calçados quando possível e evite permanecer por longos períodos com meias ou sapatos úmidos.

Toalhas, roupas, calçados e objetos de uso pessoal não devem ser compartilhados. Também é importante não aplicar pomadas ou medicamentos por conta própria, pois diferentes doenças de pele podem apresentar sinais parecidos e exigem tratamentos distintos.

Manchas que descamam, coçam ou aumentam, lesões persistentes e feridas que não cicatrizam devem ser avaliadas por um profissional de saúde. O calor pode agravar alguns quadros, mas não é possível definir a causa apenas pela aparência da pele.

Hidrate o corpo e a pele

A hidratação começa pela ingestão regular de líquidos, principalmente água. Em dias quentes ou durante atividades físicas, a perda de líquido pelo suor aumenta. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas podem precisar de atenção especial, conforme orientação de um profissional de saúde.

Para a pele, um hidratante pode ser aplicado após o banho, especialmente em regiões ressecadas. Em peles oleosas ou com tendência à acne, é melhor escolher produtos adequados ao tipo de pele e não utilizar fórmulas muito pesadas sem orientação.

Não é necessário aumentar excessivamente a quantidade de banhos nem usar sabonete no corpo inteiro várias vezes ao dia. A limpeza exagerada pode causar ressecamento, irritação e piora da sensibilidade.

Cuidados com crianças e pessoas que trabalham ao ar livre

Crianças precisam de proteção física, sombra e supervisão durante brincadeiras ao ar livre. Chapéus, roupas leves e intervalos fora do sol ajudam a reduzir o tempo de exposição. O protetor solar deve ser escolhido e usado de acordo com a faixa etária e as orientações do rótulo ou do pediatra.

Quem trabalha em áreas abertas, como trabalhadores rurais, pescadores, vendedores, entregadores e profissionais da construção civil, deve incorporar a proteção à rotina de trabalho. Sempre que possível, é recomendável organizar pausas em locais protegidos, utilizar vestimentas adequadas e reaplicar o protetor solar ao longo do dia.

A exposição repetida e prolongada ao sol aumenta o risco de danos acumulados. Segundo o Inca, a infância e a adolescência são fases especialmente importantes para a prevenção, porque a exposição excessiva nos primeiros anos de vida pode contribuir para problemas futuros.

O que fazer em caso de queimadura solar

A queimadura solar pode causar vermelhidão, dor, sensibilidade, calor local e, em casos mais intensos, bolhas. Ao perceber os primeiros sinais, interrompa a exposição ao sol, vá para um local fresco e proteja a área atingida.

Compressas frias e úmidas podem ajudar no alívio. Não fure bolhas e não aplique manteiga, pasta de dente, pó de café, álcool ou outras substâncias caseiras. Essas práticas podem irritar a pele e dificultar a avaliação ou o tratamento.

Queimaduras extensas, com muitas bolhas, dor intensa, sinais de infecção, febre, mal-estar, tontura ou desmaio exigem avaliação médica. O Ministério da Saúde orienta sobre os primeiros cuidados e reforça que queimaduras graves precisam de atendimento.

Fique atento aos sinais de insolação

Nem todo mal-estar provocado pelo calor é apenas cansaço. Dor de cabeça, tontura, náusea, pele quente e seca, pulso acelerado, confusão mental, dificuldade para respirar, desmaio ou temperatura corporal muito elevada podem indicar insolação.

Nessas situações, leve a pessoa para um local fresco, ventilado e protegido do sol. Se estiver consciente, ofereça líquidos não alcoólicos, retire o excesso de roupa e use compressas frias. Em casos graves, procure atendimento de emergência ou acione o Samu pelo telefone 192. Consulte as orientações oficiais sobre insolação.

Quando procurar um profissional de saúde

Procure atendimento quando a irritação não melhorar, houver secreção, dor intensa, febre, aumento rápido das lesões ou coceira persistente. Também é importante consultar um dermatologista ou outro profissional habilitado diante de manchas que mudam de cor, tamanho ou formato, lesões que sangram ou feridas que não cicatrizam.

O câncer de pele pode surgir em diferentes regiões, principalmente nas áreas mais expostas, como rosto, pescoço e orelhas. O Ministério da Saúde recomenda atenção a manchas ou sinais que mudam e a feridas que não cicatrizam em quatro semanas. A avaliação precoce aumenta a possibilidade de diagnóstico e tratamento adequados.

Durante o verão amazônico, proteger a pele não significa evitar todas as atividades ao ar livre. O objetivo é reduzir a exposição excessiva e adotar uma rotina de prevenção: sombra nos horários de maior radiação, roupas adequadas, protetor solar, hidratação e observação de qualquer alteração persistente.